Issa e Gallucci · Direito à Saúde
Artigo · Direito à Saúde

O direito ao transplante hepático intervivos no câncer de fígado avançado

O que a lei, a ANS, o STF e o STJ dizem sobre a cobertura do transplante pelo plano de saúde, incluindo as despesas do doador vivo.

Entenda os pontos principais Kassim Sobhi Issa · OAB/SP 438.186  |  Francisco de Assis Gallucci de Carvalho · OAB/SP 296.437

O que você precisa saber

01

Transplante no rol da ANS

O transplante de fígado, com doador vivo ou falecido, integra o rol de cobertura obrigatória desde outubro de 2022 (RN ANS nº 546/2022).

02

Despesas do doador vivo

Ficam a cargo do plano de quem recebe o órgão (RN ANS nº 465/2021, art. 19, IV, “a”).

03

ADI 7265 do STF

Para tratamentos fora do rol, o STF fixou requisitos cumulativos e a consulta prévia ao NatJus.

04

Paliativos não impostos

A indicação curativa do médico assistente não pode ser trocada unilateralmente por cuidados paliativos exclusivos.

Perguntas frequentes

O plano de saúde é obrigado a cobrir o transplante de fígado?

Nos planos regulamentados, sim. Desde outubro de 2022, o rol da ANS inclui o transplante hepático do receptor e do doador, vivo ou falecido (RN nº 546/2022), com os procedimentos vinculados, a captação, o transporte e a preservação do órgão.

Quem paga as despesas do doador vivo?

A operadora do beneficiário que recebe o órgão, mesmo que o doador não seja cliente do plano: exames, internação, cirurgia e recuperação.

O hospital do plano pode impor cuidados paliativos?

Cabe ao médico assistente indicar o tratamento. Se ele indica o transplante, a substituição unilateral por cuidados paliativos exclusivos pode ser questionada.

O que mudou com a ADI 7265?

Em setembro de 2025, o STF condicionou a cobertura de tratamentos fora do rol a requisitos cumulativos, como evidência científica de alto nível, registro na Anvisa e ausência de alternativa no rol.

O que é o NatJus?

É o núcleo técnico que apoia os juízes em temas de saúde. Após a ADI 7265, deve ser consultado antes da decisão sobre tratamentos fora do rol.

A negativa do plano gera indenização por dano moral?

Não automaticamente. No Tema 1.365, o STJ exigiu a demonstração de circunstâncias que ultrapassem o mero aborrecimento, como o risco concreto à sobrevida do paciente.

Os advogados

Advogados inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de São Paulo, autores do artigo sobre o direito ao transplante hepático intervivos.

Kassim Sobhi Issa

OAB/SP 438.186

Francisco de Assis Gallucci de Carvalho

OAB/SP 296.437

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